Língua Portuguesa · 3º Ano · Ensino Médio · Prof. Givanildo

Aula de Redação
Dissertativa-Argumentativa

Textos Motivadores & Proposta de Escrita

I

Adaptado de: BULL, Hedley. A Sociedade Anárquica. Brasília: UnB/IPRI, 2002.

A noção de soberania nacional é um dos pilares do sistema internacional moderno. Desde a Paz de Vestfália, em 1648, convencionou-se que cada Estado tem o direito exclusivo de governar seu próprio território sem interferência externa. Esse princípio tornou-se a base do direito internacional e das relações entre nações.

No entanto, o século XX — especialmente após a Segunda Guerra Mundial — trouxe um elemento complicador: a internacionalização dos direitos humanos. A criação da ONU em 1945 e a Declaração Universal de 1948 estabeleceram que certas violações graves de direitos humanos não podem ser tratadas como "assuntos internos" de um Estado.

"A soberania não pode ser escudo para a barbárie. Mas também não pode ser pretexto para a dominação dos fracos pelos fortes."
— Kofi Annan, ex-secretário-geral da ONU, 1999

Essa tensão entre soberania e responsabilidade internacional nunca foi resolvida de forma definitiva. Intervenções como as da OTAN nos Bálcãs (1999), a invasão do Iraque (2003) e o conflito na Líbia (2011) foram justificadas por razões humanitárias ou de segurança internacional — mas deixaram um rastro de controvérsias sobre quem tem o direito de intervir, em nome de quê, e a que custo.

II

Fontes: Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI), 2023 · ACNUR, 2024 · ONU, Relatório de Operações de Paz, 2023

110+ conflitos armados ativos no mundo em 2023
117M pessoas deslocadas à força globalmente (ACNUR, 2024)
12 missões de paz da ONU em andamento em 2023, com ~87 mil militares
$2,2T gasto militar global em 2023 — recorde histórico

▸ Nos últimos 30 anos, mais de 80% das intervenções militares internacionais ocorreram em países do hemisfério Sul, levantando debates sobre assimetria de poder no cenário geopolítico.

▸ Segundo o SIPRI, apenas 3 dos 5 membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (EUA, Rússia e França) respondem por mais de 60% de todas as intervenções militares fora de suas fronteiras desde 1990.

III
★★ PAZ Viemos trazer a democracia! Mas não foi nossa escolha... Charge ilustrativa — Adaptado de charges publicadas em revistas de geopolítica internacional (2003–2011) Representa o debate entre "exportação de democracia" e violação da autodeterminação dos povos

Análise orientadora: A charge apresenta um soldado de uma grande potência empurrando um cidadão de outro país enquanto declara trazer a democracia. A expressão assustada do cidadão e seu balão de pensamento — "mas não foi nossa escolha" — revelam a contradição entre o discurso humanitário da intervenção e a supressão da autodeterminação do povo receptor. O tamanho desproporcional dos personagens reforça a crítica à assimetria de poder nas relações internacionais.


✦ Proposta de Redação

Intervenção militar em outros países:
defesa da liberdade ou violação da soberania?

A partir da leitura dos textos motivadores e de seus conhecimentos sobre o tema, redija um texto dissertativo-argumentativo sobre os limites e as implicações da intervenção militar de um país em outro. Apresente argumentos consistentes, considere diferentes perspectivas e proponha reflexões sobre os limites da atuação internacional na política interna de outros Estados.

📋 Orientações para a escrita


I

Domínio da norma culta

II

Compreensão da proposta dissertativo-argumentativa

III

Seleção e organização de argumentos

IV

Coesão e coerência textual

V

Proposta de intervenção social respeitosa aos D.H.


💡 Vocabulário temático de apoio

Soberania nacional · Autodeterminação dos povos · Responsabilidade de Proteger (R2P) · Direito internacional humanitário · Geopolítica · Imperialismo · Multipolaridade · Intervencionismo · Direitos humanos universais · ONU / Conselho de Segurança · Paz de Vestfália (1648) · OTAN · Conflito assimétrico · Legitimidade democrática